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Rodney Alcala: o assassino de The Dating Game e as sete vidas por trás da manchete

Em 1978, Rodney Alcala venceu uma rodada de The Dating Game enquanto já tinha antecedentes violentos. Décadas de recursos, provas reexaminadas e investigações em diferentes estados revelaram sete homicídios pelos quais foi condenado. O programa é a porta de entrada; o centro do caso são as vítimas, os vestígios e os limites do que se sabe.

Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos · Ver histórias deste lugar e arredores

Uma vitória diante das câmeras

Em 1978, um fotógrafo apresentado como Rodney Alcala ocupou a cadeira de número um em The Dating Game, programa em que uma mulher escolhia um encontro depois de ouvir três candidatos sem vê-los. Cheryl Bradshaw escolheu Alcala. Segundo entrevistas da ABC News com integrantes da produção, ela ligou no dia seguinte para desistir do encontro porque não se sentia confortável com ele. A fala é uma recordação da equipe, publicada décadas depois; não é prova de que um crime contra Cheryl ocorreria.

A cena se tornou a etiqueta mais conhecida do caso. Mas o interesse verdadeiro não está em imaginar o que teria acontecido num encontro. Está no descompasso entre a imagem pública de um concorrente espirituoso e o histórico criminal que o programa desconhecia. O mapa marca Los Angeles de forma aproximada, como eixo do programa e da investigação californiana, não um local único dos crimes.

Antes da televisão: um antecedente que o programa ignorava

Alcala já tinha sido condenado por um crime sexual contra uma criança antes de aparecer na televisão. A decisão da Suprema Corte da Califórnia de 1984 registra a condenação anterior por atos sexuais contra menor de 14 anos. A reportagem da ABC relata que a produção de The Dating Game não conhecia seu histórico ao escolhê-lo. Isso revela uma falha de conhecimento no processo de seleção, sem pressupor que a equipe soubesse ou consentisse com seus atos.

A associação entre o programa e o assassino surgiu retrospectivamente. A participação na TV não foi a evidência que o condenou por homicídio. Ela mostra como um homem que já havia passado pelo sistema penal pôde voltar a circular publicamente enquanto outros crimes permaneciam sem solução.

Os nomes que a alcunha esconde

Em 2010, um júri de Orange County condenou Alcala por cinco homicídios em primeiro grau: Jill Barcomb, 18 anos; Georgia Wixted, 27; Charlotte Lamb, 32; Jill Parenteau, 21; e Robin Samsoe, 12. As quatro primeiras morreram entre 1977 e 1979 na região de Los Angeles; Robin desapareceu em Huntington Beach em junho de 1979. O relatório do sistema prisional da Califórnia identifica cada uma e as respectivas datas gerais.

A denúncia de 2005 mostra lugares diferentes por trás da expressão “quatro mulheres de Los Angeles”: Jill Barcomb foi encontrada nas Hollywood Hills, Georgia Wixted no apartamento em Malibu e Charlotte Lamb em El Segundo. Esse espalhamento ajuda a entender por que ligar os casos exigiu conservar vestígios e reunir jurisdições. Suas histórias não começam nem terminam na passagem do criminoso pela televisão.

Robin, a aula de balé e um par de brincos

Robin deixou o apartamento de uma amiga em 20 de junho de 1979 para ir a uma aula de balé. A decisão judicial de 1984 registra que praticava balé e ginástica desde os quatro anos e que ajudaria no estúdio para custear as aulas. Nunca chegou. O corpo foi encontrado em julho numa área montanhosa acima de Sierra Madre. Amiga e testemunha identificaram Alcala como o homem que havia fotografado as duas meninas na praia pouco antes do desaparecimento.

Uma busca encontrou um recibo de depósito em Seattle; ali os investigadores localizaram fotografias e brincos que se pareciam com um par associado à mãe de Robin. O próprio acórdão ressalva que um teste sobre a marca nos brincos foi inconclusivo. Essa cautela importa: a peça foi examinada no processo, mas não deve ser descrita como identificação laboratorial perfeita. O conjunto de testemunhos e objetos levou ao primeiro julgamento, sem que cada detalhe da sequência de Robin estivesse estabelecido com precisão.

Três julgamentos para o mesmo homicídio

Alcala recebeu uma primeira condenação por Robin em 1980. A Suprema Corte da Califórnia a anulou em 1984 por erro prejudicial na admissão de provas relativas a crimes anteriores. Ele foi julgado novamente e condenado em 1986; uma corte federal derrubou essa segunda condenação em 2003, abrindo um terceiro julgamento. Uma anulação processual não é absolvição nem prova de que o crime não ocorreu: significa que o julgamento precisava respeitar regras de prova e garantias jurídicas.

Enquanto a acusação de Robin retornava aos tribunais, vestígios de outros homicídios foram reexaminados. A promotoria de Orange County reuniu o processo dela aos quatro casos de Los Angeles; em 2010, veio a condenação conjunta pelos cinco assassinatos. O percurso mostra como provas antigas podem ganhar novo significado com técnicas posteriores, mas também como anos de litígio separam os fatos de uma decisão judicial válida.

O depósito de Seattle e as fotografias sem identidade

O depósito alugado por Alcala em Seattle tornou-se uma das partes mais inquietantes da investigação. A polícia encontrou centenas de fotografias. Em 2010, a promotoria e a polícia de Huntington Beach divulgaram um apelo para identificar dezenas de mulheres e crianças em mais de cem imagens. O texto oficial foi explícito: não se sabia se alguma das pessoas fotografadas havia sido vítima dele.

Uma fotografia pode documentar que alguém esteve diante da câmera; sozinha, não demonstra agressão, desaparecimento ou morte. O apelo procurava pistas e precisava ponderar a privacidade das pessoas retratadas. Por essa razão, o dossiê indica o comunicado oficial, sem reproduzir retratos de identidade e situação incertas nem transformá-los numa lista de vítimas.

Nova York: dois casos encerrados por admissão de culpa

Havia ainda mortes em outro estado. O relatório anual do promotor de Manhattan registra que, em 14 de dezembro de 2012, Alcala se declarou culpado pelos assassinatos de Cornelia Crilley, em 1971, e Ellen Hover, em 1977. Ambas tinham 23 anos. A sentença de Nova York, de 7 de janeiro de 2013, foi de 25 anos à prisão perpétua. Somadas às cinco condenações da Califórnia, são sete homicídios judicialmente atribuídos a ele.

A unidade de casos antigos de Manhattan revisitou provas e entrevistou mais de cem testemunhas, segundo o relatório. Esse trabalho liga dois processos separados por décadas, sem sugerir que toda pessoa desaparecida naquele intervalo tenha sido vítima de Alcala. Também corrige uma distorção comum: a morte de Cornelia, em 1971, antecede em vários anos a aparição no programa.

Wyoming: acusação não é condenação

Em 2016, autoridades de Wyoming acusaram Alcala da morte de Christine Ruth Thornton, que desapareceu em 1978. Seus restos mortais haviam sido encontrados em 1982; ela estava grávida de seis meses, conforme o sistema prisional californiano. A reportagem da ABC observa que a saúde de Alcala impediu sua transferência para julgamento em Wyoming. Ele morreu antes de uma decisão sobre esse caso.

Portanto, Christine não deve ser somada às sete vítimas dos homicídios pelos quais ele foi condenado. A acusação é parte real do registro judicial; a responsabilidade penal por essa morte não foi julgada até uma condenação. Tampouco as suspeitas levantadas em outros lugares autorizam transformar estimativas de dezenas ou centenas de vítimas em contagem comprovada.

O que os depoimentos sobre o programa realmente mostram

Entrevistados pela ABC, o produtor Mike Metzger recordou desconforto com Alcala no processo de seleção, enquanto a coordenadora Ellen Metzger relatou a ligação de Cheryl cancelando o encontro. O concorrente Jed Mills, sentado ao lado dele, também relembrou seu comportamento. São testemunhos retrospectivos sobre bastidores e reações, importantes para a história cultural do caso, mas distintos dos documentos criminais e das provas forenses.

A reportagem em vídeo da ABC permite ver como o episódio foi recontado. Ela não substitui a íntegra original do programa, nem permite afirmar que a televisão expôs crimes ainda desconhecidos ao público. O estranhamento de pessoas na gravação ganhou outro significado depois das condenações; memória e retrospectiva precisam ser lidas com esse intervalo em mente.

O saldo do arquivo

Alcala morreu de causas naturais em 24 de julho de 2021, aos 77 anos, segundo o Departamento Correcional da Califórnia. O registro firme é o de cinco condenações por homicídio na Califórnia e duas confissões de culpa por homicídio em Nova York. A morte de Christine Thornton resultou em acusação, sem julgamento conclusivo. As identidades e histórias de muitas pessoas fotografadas permaneceram incertas nas fontes consultadas.

The Dating Game explica a alcunha, não o caso inteiro. Para ir além, vale colocar lado a lado o acórdão sobre Robin, o comunicado da promotoria sobre as fotos e o relatório de Manhattan. Eles fazem perguntas diferentes: o que foi provado em tribunal, o que foi investigado e o que continua sem resposta. Essa distinção impede que a visibilidade do assassino apague as pessoas afetadas.

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Fontes

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Estes links ajudam a investigar o contexto; eles não confirmam, por si só, as alegações da história.