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Classificação: Documentado

Supermercado Mexia: a loja fechada que virou emergência sanitária

Em 1999, um mercado fechado no sul de Fort Worth permaneceu com alimentos no interior. O cheiro mobilizou vizinhos, equipes de saúde e de limpeza. Fotografias de jornal e vídeos de TV da época permitem seguir o caso e distinguir o que foi registrado das lendas digitais.

Fort Worth, Texas, Estados Unidos · Ver histórias deste lugar e arredores

Uma porta fechada em uma rua habitada

Em 12 de novembro de 1999, o fotógrafo Ron Jenkins registrou uma porta com aviso de fechamento no antigo Mexia Supermarket, na South Hemphill Street, em Fort Worth, Texas. A imagem pertence à coleção do Fort Worth Star-Telegram na Universidade do Texas em Arlington. Do lado de fora, a fachada podia parecer apenas mais um negócio falido. O problema estava naquilo que não saíra quando a loja encerrou as atividades: alimentos perecíveis. A coordenada do atlas indica aproximadamente o imóvel documentado, não um convite a visitar ou entrar no endereço.

O nome induz um erro recorrente: a ocorrência não se deu na cidade texana de Mexia. A fotografia identifica Fort Worth, assim como as reportagens de novembro. Um registro do acervo televisivo atribui, em seus metadados, um dos clipes a Limestone County, onde fica a cidade de Mexia; o próprio vídeo foi produzido em Fort Worth e outros itens da mesma série apontam para o bairro correto. Arquivos também precisam ser lidos criticamente.

O fechamento: data exata ainda incerta

A documentação consultada situa o encerramento comercial no verão de 1999. Uma reportagem de TV arquivada em 14 de novembro descrevia a loja como abandonada havia meses; outra, de 16 de novembro, dizia que estava fechada havia meses. Esses roteiros confirmam a duração aproximada, mas não fornecem o dia em que a última venda ocorreu, nem revelam tudo o que o antigo responsável fez ou deixou de fazer. Relatos posteriores divergem entre julho e agosto; o dossiê não converte essa divergência em uma data exata.

Uma falência ou disputa sobre um prédio pode envolver empresa, proprietário, credor e administrador judicial com atribuições diferentes. É tentador reduzir tudo a uma única pessoa que “fugiu e trancou a porta”; os materiais primários aqui reunidos mostram a loja fechada e o alimento deixado no local, mas não bastam para provar fuga, intenção criminosa ou toda a cadeia de decisões. A questão que se impôs aos moradores era mais imediata: quem retiraria o conteúdo antes que o edifício se tornasse um problema para a vizinhança?

O cheiro atravessa a parede

No começo de novembro, o problema já tinha ultrapassado a porta. A ficha da fotografia feita em 12 de novembro menciona odores, insetos ou outros animais e a classificação sanitária do imóvel como risco pela autoridade de saúde de Fort Worth. Um roteiro televisivo de 14 de novembro relata que o mau cheiro afetava moradores próximos; é uma descrição jornalística contemporânea, não um levantamento médico de cada pessoa atingida.

Essa é uma parte essencial da história: o supermercado não estava isolado em um terreno vazio. Havia casas, ruas e pessoas que precisavam passar perto dele. As imagens de TV externas mostram janelas protegidas e fitas de isolamento. Nada disso demonstra, por si só, uma concentração específica de bactérias no ar ou doença comprovada em toda a quadra. Demonstra que o fechamento de um negócio havia se tornado uma questão coletiva e exigia resposta pública.

Entre isolar, controlar pragas e retirar os alimentos

O registro da CONUS de 14 de novembro é particularmente útil porque preserva um plano anunciado, não apenas a lembrança posterior: preparar o prédio, enviar controle de pragas e começar a retirar seu conteúdo para o aterro na semana seguinte. A sequência KXAS de 13 de novembro e a fotografia da UTA de 16 de novembro permitem comparar esse roteiro com imagens produzidas nos dias da operação. A fotografia identifica trabalhadores da Garner Environmental Services diante da loja condenada.

Na reportagem de 16 de novembro, o texto arquivado descreve trabalhadores entrando com equipamentos de proteção, iluminação e linhas de ar porque não havia eletricidade. O departamento de saúde condenara os alimentos, inclusive produtos enlatados. O repórter explica que limpar e garantir a segurança dessas embalagens custaria demais. A operação era, assim, mais do que tirar frutas passadas das prateleiras: envolvia exposição ocupacional, materiais acumulados, logística de remoção e descarte.

O que a câmera mostra e o que o roteiro diz

Os clipes preservados pela Universidade do Norte do Texas são B-roll: imagens brutas feitas para acompanhar uma reportagem. Há registros intitulados Grocery Store, Mexia-Food e Foul Food, datados de 12 a 16 de novembro. A existência deles corrige a ideia de que nenhuma filmagem daquela semana sobreviveu. Mas um clipe de alguns segundos não equivale ao material integral de uma cobertura televisiva, nem prova detalhes que não aparecem em suas imagens.

Outro acervo, o da CONUS, preserva a ficha e o roteiro da matéria Inside Stinky Store, de 16 de novembro. A ficha descreve tomadas de retirada de alimentos, documentos sanitários, moradores, um ex-funcionário e um porta-voz ambiental. A página de catálogo informa limites para licenciar certas imagens e sons: ela é uma fonte para o conteúdo registrado no catálogo, não uma autorização para reproduzir o vídeo no Nocturna. Por isso, este dossiê oferece links para os arquivos, sem copiar suas imagens.

Uma segunda história estava nos papéis sanitários

A reportagem de 16 de novembro, conforme sua ficha de arquivo, não tratava só da podridão após o fechamento. Ela incluía documentos do departamento de saúde e um gráfico sobre infrações anteriores do mercado. O texto de abertura dizia que funcionários públicos haviam considerado fechar o estabelecimento antes, mas ele teria feito correções mínimas para continuar funcionando. É uma acusação jornalística contextualizada em registros exibidos na matéria, não licença para inventar cada infração ou afirmar que ela causou o abandono posterior.

O mesmo roteiro inclui uma distinção pouco lembrada: comida enlatada não estava sendo oferecida a bancos de alimentos simplesmente porque parecia intacta. A autoridade sanitária a condenara juntamente com o restante, e a reportagem apontou o custo de higienização. Isso transforma o tema do “desperdício” em pergunta concreta sobre segurança e responsabilidade, em vez de uma solução fácil imaginada depois dos fatos. O material consultado não contém laudos laboratoriais completos nem quantifica com segurança todas as perdas.

A limpeza não encerrou a conversa

Um terceiro clipe da KXAS, Mexia Meeting, foi gravado em 9 de dezembro de 1999. Ele registra uma reunião relacionada ao caso semanas após a primeira mobilização para retirar os alimentos. Sua existência mostra que o episódio continuava relevante para a comunidade depois da cena mais fotogênica da limpeza. A ficha pública, porém, não é uma ata: não permite atribuir falas específicas a participantes nem declarar, sozinha, que todas as reclamações haviam sido solucionadas.

O roteiro de 16 de novembro dizia que a remoção custaria milhares de dólares e que a prefeitura esperava cobrar o proprietário. “Esperava” é a palavra decisiva: uma expectativa divulgada no início da operação não confirma a conta final, quem a pagou ou o resultado de eventual cobrança. Números exatos repetidos em publicações recentes exigiriam comprovantes de despesas ou registros financeiros que não constam dos materiais usados aqui.

Como nasceu o “vídeo perdido”

Anos depois, o supermercado voltou a circular na internet como uma história de mídia perdida. O registro da UNT ajuda a entender a diferença entre desaparecimento total e acesso parcial: os clipes são de 1999, mas suas páginas informam que foram adicionados ao portal digital em julho de 2025. Uma data é a da gravação; a outra é a da disponibilização no acervo. Confundir as duas apaga o longo caminho entre fita de telejornal, catalogação e pesquisa de usuários.

A recuperação do material não transforma toda versão online em fato. Títulos sobre uma “loja amaldiçoada”, pessoas mortas dentro dela, produtos misteriosamente preservados ou uma névoa mortal não decorrem das imagens e roteiros apresentados. O estranho aqui não precisa de sobrenatural: um espaço comercial cheio de mercadoria perecível permaneceu sem gerenciamento suficiente até que vizinhos e autoridades tivessem de lidar com suas consequências.

O que podemos afirmar

Documentado: uma loja de alimentos chamada Mexia Supermarket, em Fort Worth, ficou fechada durante meses com comida dentro; cheiro e pragas afetaram a vizinhança; o poder público interveio e equipes equipadas retiraram material em novembro de 1999. Fotografias de 12 e 16 de novembro, roteiros de 14 e 16 de novembro e clipes televisivos de novembro e dezembro sustentam essa sequência. Aproximado ou aberto: o dia do fechamento, o custo final, a divisão definitiva da responsabilidade financeira e a extensão médica dos efeitos na vizinhança. Não estabelecido pelos arquivos citados: morte, crime oculto ou causa paranormal.

Para investigar por conta própria, comece pela porta fotografada em 12 de novembro, passe às imagens da KXAS de 13 e 16, compare com o roteiro de 16 de novembro e termine no registro da reunião de 9 de dezembro. Há uma surpresa mais duradoura do que qualquer boato: uma loja comum pode se tornar um problema de saúde pública quando ninguém assegura o destino de seu estoque, e só a leitura cuidadosa dos arquivos permite ver onde termina a documentação e começa a lenda.

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Fontes

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Estes links ajudam a investigar o contexto; eles não confirmam, por si só, as alegações da história.